O livro "Queridos pais," se realiza por meio de um convite ao qual não se consegue recusar porque parte de uma voz autorizada para fazê-lo: a do Pedro Borges. Professor brilhante, o nosso amigo Pedro trabalhou por incontáveis anos nos colégios do Pitágoras pelo Brasil e pelo mundo e, entre vários papéis, também, exerceu, por muito tempo, a função de Diretor Regional da Rede Pitágoras.

Com o Pedro, todos já aprendemos muito, mas, agora, com esse livro, ele consegue a difícil façanha de se superar. Ele nos ensina o que já devíamos ter aprendido há muito: os filhos cumprem o caminho que os pais traçam "com eles" e não "por eles". Sabemos que esse caminho não pode ser riscado com ferro e fogo, mas deve ser carinhosamente delineado pelas escolhas que são feitas das palavras e ou dos silêncios. A ideia defendida por ele de que "é preciso educar-se para educar" traz implícita em si a humildade de reconhecer que não se pode considerar que alguém, pelo simples fato de, biologicamente, ser pai ou mãe já esteja credenciado para a tarefa de educar. E nos dias atuais, com o fenômeno dos filhos cangurus — os que permanecem para além dos trinta anos com total dependência dos seus pais — é comum que os pais deleguem a seus pais, que são os avós, a tarefa de educar os seus filhos, comprovando que não foram preparados e, também, não se prepararam para ser pais. Esse movimento vem gerando um círculo em que gerações inteiras estão delegando a sua responsabilidade de educar. Assim, em seu livro, Pedro Borges não procura lutar contra uma realidade que se impõe; reconhece que, para educar, os pais, mais hoje do que sempre, já não se bastam e que, para fazer isso, precisam estabelecer parcerias. E a principal delas, na sua convicção, é a relação de complementaridade da família, em todas as suas novas configurações, com a escola, com o cuidado de não cair no desequilíbrio de querer substituir uma instituição pela outra.

Há momentos no livro em que se reconhece que a voz que fala é a do pai; em outros, fica mais evidente o eco de uma experiência como educador. Em outros, a fala é a do pai mais amadurecido em sua versão de avô. Mas o que poderia ser uma confusão de vozes é, acima de tudo, uma rica polifonia que por diversos ângulos analisa a relação pais e filhos por meio de espelhos e projeções, ora com lente de aumento, ora com distanciamento, mas sempre com uma sabedoria desconcertante. Um exemplo? Quando se ouve que "nenhum sucesso profissional compensa nosso fracasso como pais e que, no começo da vida, lamenta-se a falta de tempo; mas que, no final, costuma-se lamentar a ausência do que fazer" vindo de alguém que nos chama de "querido", fica difícil esconder-se atrás de uma costumeira desculpa. Ou " que se pode jogar fora uma teoria ou um modelo educacional, mas não é possível jogar fora crianças ou jovens, porque não falam a linguagem da escola"; a reação diante destas afirmativas é parar, escutar e refletir. É essa a chave do livro "Queridos amigos": um chamado à reflexão, tendo como pano de fundo a generosidade de um amigo que resolveu compartilhar com suas várias centenas de milhares de mais outros amigos as suas aprendizagens, opiniões e observações.

Também os amigos da Rede Pitágoras se sentam nesta roda, orgulhosos de serem incluídos nesta conversa tão amorosamente construída como se fosse um presente "de pai para filho". E no desenrolar do diálogo, uma descoberta é a de que se nossos filhos estão prontos, nós temos a obrigação de empurrá-los, para que eles voem, mas que o descuido não pode deixar que a decisão de empurrá-los, tão importante para a vida deles, aconteça antes da hora ou que a hora passe do ponto. Com este livro, Pedro Borges nos ajuda a identificar se um momento é oportuno.

Mônica Aparecida Ferreira
Diretora Geral da Rede Pitágoras