VEREDA:Por que o uso de pseudônimo neste seu livro? Aliás, você usa pseudônimo ou heterônimo?

JEREMIAS: Não é pseudônimo. Acredito que possa ser visto como um heterônimo, no sentido em que escrevo de uma maneira não usual, com um conteúdo que não me era muito familiar na época; como se algo desconhecido dentro mim estivesse se expressando. Na maioria das vezes em que me assentava para escrever, eu não tinha a mínima ideia do que iria surgir. Escrevia vagarosamente uma frase, depois outra, depois outra,à medida que iam surgindo em mim, sem nenhum propósito ou direção Focalizava em meu corpo, em minhas sensações e deixava que as frases ou palavras brotassem de lá. Não posso dizer que não era eu que escrevia, era eu sim, mas um eu diferente daquele que, agora por exemplo, está escrevendo. Era um eu que estava no encoberto, desconhecido e indescritível. O nome Jeremias Horta também surgiu assim, sem nenhum significado especial para mim. Mais tarde, brincando com as letras das palavras "Jeremias Horta", formei um anagrama que me pareceu muito interessante e significativo; "JH, eremita rosa".

VEREDA: Seu livro é organizado em uma caixa de onde são retiradas lâminas com mensagens. Caixa de Mensagens e Caixa de Pandora (mitologia grega), qual a relação de uma com a outra? Na de Pandora, restou a esperança e, na de Mensagens, o que há?

JEREMIAS: Não fui eu quem organizou o livro, foram as pessoas que o publicaram que o fizeram assim. E eu disse, assim seja. Achei interessante e significativo.VEREDA: A que você atribui o sucesso deste seu livro, ele já se encontra em sua 6ª edição? À aleatoriedade, como a das mensagens?

JEREMIAS: Acho que é porque ele fala de verdades mais profundas que são sentidas por muitas pessoas que na maioria das vezes não conseguem expressá-las ou que às vezes nem tentam. Poderia dizer que elas são uma resposta empática ao que elas trazem consigo no mais íntimo delas, assim como eu as trago; a diferença é que eu tentei expressá-las. É como se fossem poesias.

VEREDA: Se as mensagens fossem escritas hoje, em que aspecto você as modificaria? Ou não as modificaria? Elas continuam modificando as pessoas como antes?

JEREMIAS: Não modificaria nada, como não modifiquei nenhuma palavra ou frase da escrita manual original quando as datilografei. Tudo está como surgiu e assim gostaria que permanecesse. Eu não diria que elas têm o poder de modificar as pessoas, apenas acredito que muitas pessoas verão nelas uma expressão de seu eu interior aumentando com isso a compreensão de si mesmas e da vida.

VEREDA: Gostaria de dizer algo mais a respeito da obra? Ou isso deve ficar por conta dos coautores, os leitores?

JEREMIAS: Não, acredito que ela fala por si.