"Queridos pais," apresenta os novos desafios da educação e a necessidade de os pais se educarem para educar. Tradicionalmente, as famílias se preocupam em definir o que querem para os filhos; hoje, é preciso definir o que queremos de nossos filhos, como forma de garantir que consigam o que desejamos para eles.

VEREDA: Professor Pedro, por que o título Queridos pais,?

PEDRO: O vocativo que eu uso para dar título ao livro, muito comum na correspondência pessoal, antecipa informação importante sobre meu propósito: escrever para os pais, numa linguagem própria do colóquio. Trata-se de uma conversa que tem como única pretensão ajudar os pais a serem mais efetivos na educação de seus filhos.

VEREDA: Pais e filhos são conceitos relacionais. Uns só existem em relação aos outros. Seu livro tem como foco a relação entre pais e filhos?

PEDRO: Eu diria que não. Embora aborde, em alguns momentos, a relação entre pais e filhos, o foco está na formação dos pais. Parto do princípio de que o fato de duas pessoas se tornarem pais não significa que elas estejam preparadas para educar uma criança. Nas sociedades primitivas, era possível aos pais educar os filhos como tinham sido educados, mas, em sociedades tão complexas quanto a nossa, é preciso educar-se para educar. Os pais, como educadores, podem aprender muito. É possível obter informações, adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades e competências que serão úteis na educação dos filhos. Se é a família a primeira responsável pela educação dos filhos, é justo que os pais, assim como os profissionais da educação formal, também sejam preparados e recebam ajuda para essa missão.

VEREDA: Millôr Fernandes diz que “pais e filhos não foram feitos para serem amigos. Foram feitos para serem pais e filhos.” Seu livro contempla essa questão?

PEDRO: Como disse, meu objetivo principal, neste livro, não é tratar da relação entre pais e filhos. Bons autores já fizeram isso e, no momento, eu não teria muito a acrescentar.

VEREDA: Você é pai, avô, professor. Que diferenças há entre esses papéis?

PEDRO: As diferenças são de grau e não de natureza. Pais, avós e professores geralmente têm uma relação afetiva com as crianças e os jovens, mas há diferenças quanto ao grau de envolvimento emocional. Minha experiência me mostra que, como pai, o envolvimento é tão grande que, às vezes, nos impede de ver o óbvio. Há um bordão, parece-me que criado por Jô Soares, que diz: “Tem pai que é cego”. É muito difícil, mas não impossível, para os pais ver os filhos como eles realmente são: seres humanos com qualidades e defeitos. Os avós, se souberam aproveitar a passagem dos anos para amadurecer, sabiamente estarão menos envolvidos emocionalmente, o que lhes permitirá enxergar, com mais isenção, potencialidades, limites, necessidades dos netos. Isso não acontece com frequência, porque, em muitas famílias, por uma série de circunstâncias, os avós acabam sendo os pais de seus netos, e essa situação interfere nas relações. Os professores estão na outra ponta: menos envolvimento emocional e, provavelmente, maior lucidez para exercer o papel de educador. Essa lucidez é tão importante para a educação que alguns pensadores acreditam que a família não é a melhor instituição para educar as novas gerações. Segundo alguns, a família só faz repetir os erros de seus antepassados. Isso se comprova com relativa facilidade. Se não quisermos olhar para a nossa família, basta observar as que estão ao nosso redor. Na maioria dos casos, as falhas que percebemos na educação das crianças vêm de muitas gerações. Penso que uma criança não é educada apenas por esta ou aquela instituição. Se há um verdadeiro compromisso com o desenvolvimento da outra pessoa, pais, avós, professores podem aprender uns com os outros. Uma aprendizagem importante é a de saber equilibrar amor e exigência, em cada fase da vida dos filhos, netos e alunos. Depois que me tornei pai, fui melhor professor. Agora, que sou avô, tenho tido maior lucidez em perceber quais de meus sentimentos e de minhas ações contribuem mais para a educação de meus netos. Estou pensando agora que, talvez, o avô seja a síntese do pai e do professor.

VEREDA: A escola é, na atualidade, a principal parceira dos pais na educação dos filhos. Como deve ser a relação entre essas instituições?

PEDRO: Creio que não vou dizer nada de novo: a relação deve ser de parceria. Família e escola são as principais responsáveis pela educação das novas gerações. Vivemos situações tão inusitadas que, se não houver uma relação de apoio, respeito e confiança entre essas instituições, o prejuízo para as crianças e os jovens será muito grande. A relação entre família e escola me parece tão importante que um dos capítulos do livro trata especificamente dela. Pais e educadores necessariamente deverão estar mais próximos, se quisermos ter educação de qualidade. Fico feliz, porque a sociedade já percebeu isso, e muitos têm procurado estabelecer entre família e escola uma relação de complementaridade, sem tentar substituir uma instituição pela outra.

VEREDA: O que mães, pais e educadores podem esperar de seu livro?

PEDRO: Podem esperar um livro sem cobranças, sem prescrições, sem receitas. São cinco capítulos como se fossem cinco longas conversas entre pessoas que, para serem mais efetivas, buscam compreender melhor o processo educacional. É um livro que tem como foco os pais, mas que também pode ser lido, com proveito, por professores,equipe pedagógica e diretores de escola. Numa linguagem coloquial, apresento informações e sugestões que, tenho certeza, serão úteis para aproximar família e escola, instituições de quem asociedade tanto espera.

VEREDA: Algo mais a dizer aos leitores, amigos da Vereda?

PEDRO: Sim, aguardem. Em agosto o livro o estará nas livrarias e no site da Vereda.

Sobre o autor:

Pedro Faria Borges Graduado em Letras e em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Como professor de Português (língua e literatura), trabalhou vários anos no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. É autor de livro didático de Português para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Na administração escolar, ocupou vários cargos, tendo exercido as funções de coordenador, vice-diretor, diretor pedagógico e diretor administrativo de várias escolas, em diferentes Estados do Brasil. Como consultor educacional, visitou escolas e deu assistência a inúmeras instituições educacionais no Brasil e no exterior, o que lhe proporcionou um grande conhecimento sobre a realidade educacional de nossos dias. Proferiu palestras e ministrou cursos em todas as regiões do país. Esteve na Colômbia (1993), onde ministrou curso sobre Qualidade em Educação para educadores de várias escolas de Bogotá. Em Angola (1991) e na China (1997), proferiu palestra para educadores e pais de alunos de escola brasileira naqueles países, além de assessorar o trabalho dos diretores dessas escolas. Em 2010, esteve em Bogotá e em Caracas ministrando curso para lideranças de escolas particulares. Participou, como palestrante, de inúmeros congressos de educadores e de pais.